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Professor enfrenta o isolamento e fake news contra coronavírus:

Há 2 dias está com febre e dores, tentou, sem sucesso, fazer exame; preocupação maior é com filho, Buga, que tem Sindrome de Down - CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

18/03/2020 12h12Atualizado há 2 semanas
Por: Redação
Fonte: campograndenews
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Hemerson fez foto do filho, Buga, 27 anos, que o observava no isolamento: preocupação com a família (Foto/Reprodução) - CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS
Hemerson fez foto do filho, Buga, 27 anos, que o observava no isolamento: preocupação com a família (Foto/Reprodução) - CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

Desde segunda-feira (16), o professor de Engenharia da Computação, Hemerson Pistori, começou a sentir dor no corpo e teve febre de 37,8ºC. Adotou o autoisolamento e tenta fazer o exame para novo coronavírus (Covid-19), mas enfrenta desinformação alheia e fake news pelo caminho.

 

A maior preocupação é com o primogênito, Hemerson, o Buga, 27 anos, que tem Síndrome de Down, por conta da imunidade dele. “No isolamento, o difícil é ficar longe da família”, disse o professor, que está no quarto, enquanto Buga, a irmã, de 23 anos, e a mulher, Melissa, ocupam cômodos diferentes da casa, como forma de manter a quarentena e evitar o contato entre eles.

 

Por ter apresentado sintomas característicos, é o único que se impôs isolamento mais rígido dentro de casa.

 

No dia-a-dia, não tem qualquer contato físico com a família. A comida é deixada em uma bandeja na porta do quarto e, depois, recolhida. Da janela, conversa com a família e chegou a fazer foto da visita de Buga, que o observava da janela. "Estou isolado no quarto e muito preocupado em não passar para o meu filho" escreveu em uma rede social. Ele lembra que o rapaz, quando contraiu influenza, há alguns anos, chegou a ficar internado.

 

O professor continua trabalhando, até para se ocupar. Do quarto, ministrou aulas online, conversou pelo WhatsApp com alunos e orientou os alunos do Doutorado.

 

Desde que os sintomas começaram, tentou fazer exame para atestar o novo coronavírus, sem sucesso. Recebeu mensagens indicando que a rede pública estava fazendo atendimento em domicílio. “Liguei para uns dez números, sem brincadeira, aí descobri que era tudo fake news”.

 

Hemerson começou o autoisolamento na segunda (Foto/Reprodução)

Hemerson começou o autoisolamento na segunda (Foto/Reprodução)

Até cogitou ir a um laboratório ou UPA (Unidade de Pronto Atendimento) para fazer exame e, para isso, tentou comprar máscara para evitar infectar alguém. Sem sucesso. “Não achei em nenhum lugar”.

 

A máscara é indicada para pessoas do grupo de risco, como idosos, doentes crônicos ou os que estejam infectados, que pode ser o caso dele, mas muita gente fora dessa classificação correu às farmácias e tem acabado com os estoques. “As pessoas não fazem nem por maldade, mas precisam tomar consciência”, disse.

 

Pistori criticou a disseminação de informações equivocadas e fake news, até de pessoas que conhecem os acessos a dados confiáveis. “Você tem de ir atrás de gente experiente, separar o joio do trigo e buscar informações nas fontes corretas”, avaliou, contando que viu vídeos de cientistas expondo opinião sobre coronavírus, mas, sem embasamento. “Tem cientista falando coisas terríveis, você vai ver a formação, não é virologista”.

 

O professor critica a postura de autoridades que minimizam a propagação do coronavírus pelo mundo. “Não é preciso mesmo entrar em pânico, a pessoa não age direito, mas a mensagem não pode passar a ideia de que a situação não é gravíssima, isso é diferente”. E conclui “Infelizmente, a chance de ter muito mais mortes do que o necessário são grandes”.

 

 

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