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Pacientes que passaram pela UTI falam sobre Covid-19: ‘é rápido e traiçoeiro’

Jornalista e técnica de enfermagem relatam como foram surpreendidos pelo coronavírus

02/08/2020 08h15
Por: Redação
Fonte: midiamax
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O jornalista Paulo Yafusso ficou internado em UTI para tratar Covid-19. (Foto: Henrique Arakaki)
O jornalista Paulo Yafusso ficou internado em UTI para tratar Covid-19. (Foto: Henrique Arakaki)

Pacientes recuperados do coronavírus (Covid-19) relatam momentos difíceis na UTI e falam da rapidez que a doença avança no organismo. Vencedores da batalha contra o poderoso vírus, eles pedem que todos levem a doença a sério.

Assim foi o caso do jornalista Paulo Yafusso, 54 anos, por exemplo. Ele relatou que, quando recebeu o resultado positivo do teste, se surpreendeu. “Quando cheguei lá [no hospital] que foi a surpresa. Meu nível de saturação de oxigênio estava muito baixo, pediram para me internar e fazer a tomografia”.

Caso semelhante ocorreu com a técnica de enfermagem Raquel Ferreira Rodrigues, de 39 anos, que mora em Naviraí. Ela conta que procurou o hospital três dias depois de sentir alguns sintomas. “Não doía, mas minhas costas estavam geladas. Foi muito rápido, o médico pediu tomografia e meu pulmão já estava comprometido e fui internada na hora”, lembra.

A situação de ambos se agravou e precisaram ser intubados. Então, a enfermeira, que foi transferida para Dourados ao ver seu quadro clínico se agravar, teve duas paradas cardiorrespiratórias e ficou sem mobilidade durante parte do período em que ficou na UTI. “Em todos os momentos, na minha cabeça, a todo momento eu pensava na minha família, todo momento eu pedia uma chance, por mais que meus braços e pernas não reagissem, na minha cabeça, meu cérebro estava vivo”, relata.

Já o jornalista Paulo Yafusso conta que ficou sedado durante o período de intubação. “Só fiquei sabendo da gravidade da situação pelo período que fiquei intubado e sedado depois que recebi alta. Aí que tive noção da gravidade, pois não tive sintoma de fraqueza, cansaço, febre ou dores. Cheguei, fui internado e não lembrava de nada”, detalha.

Para Raquel, os 11 dias que ficou internada lutando contra a doença foram de reflexão e aprendizado. “A gente pensa que quando estamos intubados, a chance de não voltar é grande, Eu pensava que poderia ter abraçado as pessoas que amava, ter despedido quando tive a chance”, desabafa

Conscientização

Nossos entrevistados venceram a batalha contra a doença, mas nem sempre é assim. Somente em Mato Grosso do Sul, segundo dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde), já foram 376 mortes pelo coronavírus no estado.

O aumento do número de casos e óbitos está diretamente relacionado às atitudes da população, que devem seguir as orientações de isolamento social, distanciamento e higiene.

“Não acreditava que ela [Covid-19] fosse tudo isso que falavam. Como não apresentava nada que pudesse agravar a doença, achei que seria rápido. A visão que tinha era que só ia pegar em pessoas com comorbidades, ou idosas”, lamentou a técnica em enfermagem.

Depois de sentir na pele o que é enfrentar essa doença, Yafusso lamenta a negligência e irresponsabilidade das pessoas. “Eu fico triste. Depois de tudo que passei, o maior problema que a saúde enfrenta hoje é o egoísmo. A pessoa acha que não vai pegar, fala que é só uma gripezinha, mas não tem noção. Esse vírus é traiçoeiro, age com uma rapidez incrível”, desabafou.

Cenário delicado

No boletim epidemiológico divulgado na sexta-feira (31), a SES informa que são 485 pessoas internadas em Mato Grosso do Sul com Covid-19. Destes, 210 estão em estado grave, em leitos de UTI.

Então, um dado que preocupa é a baixa disponibilidade de leitos disponíveis na macrorregião de Campo Grande. Por exemplo, na sexta-feira, 90% dos leitos UTI estavam ocupados.

 

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