Quinta, 15 de Outubro de 2026
15°C 20°C
Ponta Porã, MS
Publicidade
Anúncio

Quando o fim da escala 6×1 e a jornada de 40 horas semanais entram em vigor?

Redação
Por: Redação Fonte: Gazeta do Povo
15/10/2026 às 08h12
Quando o fim da escala 6×1 e a jornada de 40 horas semanais entram em vigor?
Empregados que trabalham em escala 6x1 passarão a ter direito a dois dias de descanso semanais a partir de 60 dias após a promulgação da PEC (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Com a aprovação pelo Senado da proposta de emenda à Constituição (PEC) 221/2019, na noite desta quarta-feira (14), a escala de trabalho 6x1 e a jornada de 44 horas semanais estão com os dias contados no Brasil.

O texto estabelece que o trabalhador terá direito a repouso semanal remunerado de dois dias, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. Além disso, a jornada máxima de trabalho será reduzida das atuais 44 para 40 horas por semana.

O início da vigência das novas regras depende apenas da promulgação da PEC, que é feita pelas mesas diretoras da Câmara e do Senado – diferentemente de uma lei, emendas constitucionais não são sancionadas nem podem ser vetadas pelo presidente da República.

De acordo com a redação aprovada, 60 dias após a promulgação do texto, as empresas terão de garantir a escala 5x2 e a redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais.

Portanto, caso a promulgação ocorra na próxima semana, como sinalizou o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), a exigência valerá ainda em dezembro deste ano.

Ainda conforme a PEC, 12 meses após essa primeira mudança, a jornada máxima de trabalho será reduzida para 40 horas, totalizando 14 meses para a transição completa para o novo modelo. No cenário mais provável, isso deve ocorrer em dezembro de 2027.

Há algumas exceções, no entanto:

Terceirizados do Estado terão regra de transição diferente

Para trabalhadores terceirizados da administração pública, a regra de transição será diferente. A PEC prevê a exceção com a justificativa de “evitar riscos de descontinuidade na prestação de serviços públicos essenciais executados mediante terceirização”.

Nesse caso, a empresa terá prazo de 12 meses após a promulgação da emenda constitucional para substituir a escala 6x1 de seus funcionários pela 5x2, e não 60 dias como na regra geral.

Contratos firmados após 60 dias da promulgação da PEC, no entanto, já terão de observar a nova escala.

Empregados com diploma e que recebem mais de R$ 21 mil podem manter jornada de 44 horas

A PEC cria ainda uma exceção para empregados com diploma de nível superior que recebam ao menos 2,5 vezes o teto do Regime Geral de Previdência Social, hoje equivalente a R$ 21.188,87.

Para esses trabalhadores, não se aplicam as novas regras de duração e controle da jornada, embora sejam mantidas as regras de repouso semanal previstas na proposta.

Ou seja, trabalhadores que atendam a esses critérios terão direito à escala 5x2, mas continuarão sujeitos à jornada de 44 horas, exceto se a redução da carga horária for concedida pelo empregador ou estiver prevista em acordo ou convenção coletiva.

Fim da escala 6x1 deve ter impacto negativo na economia

Para além de empregadores, os impactos econômicos da aprovação da PEC podem alcançar todo o conjunto da sociedade, incluindo os próprios trabalhadores, segundo aponta uma série de estudos.

Os efeitos esperados incluem aumento de preços de produtos ao consumidor, redução na disponibilidade e na qualidade de serviços, risco de alta no desemprego e, consequentemente, crescimento do mercado informal, com condições de trabalho inferiores.

O cenário advém do aumento do custo para as empresas que hoje utilizam a escala 6x1 e a jornada de 44 horas semanais, ainda que parcialmente. A redução da jornada com a manutenção da remuneração implica, no limite, em uma alta de 10% no valor da hora para o empregador.

Já para manter a mesma cobertura de produção ou atendimento, passando da escala de seis para cinco dias trabalhados por semana, seria necessário ampliar o quadro de funcionários em até 20%.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que o fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas provocará uma queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 76,9 bilhões nos valores considerados pelo estudo.

Comércio e serviços devem ser os setores mais afetados. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 93% dos trabalhadores do varejo e 92% do atacado trabalham acima de 40 horas semanais.

A entidade calcula que o setor de serviços pode sofrer um impacto de cerca de R$ 235 bilhões. Para o comércio, a adequação à nova regra pode gerar R$ 122,4 bilhões em custos anuais, elevando em 21% a folha salarial.

Lenium - Criar site de notícias