
O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou nesta quinta-feira, 22, em vídeo publicado no Instagram, que práticas de manipulação das contas públicas comparáveis às do governo Dilma Rousseff voltaram a ocorrer no país. Segundo ele, despesas realizadas fora do Orçamento já chegam a R$ 326 bilhões.
“A manipulação lá atrás, nas contas do presidente, volta a acontecer”, disse o ministro. Para Nardes, o quadro atual é mais preocupante do que o de dez anos atrás. “A situação se torna cada vez mais grave, porque foi feita uma desorçamentação, ou seja, gastar por fora.”
O ministro avalia que o volume de gastos paralelos compromete a imagem do Brasil no exterior. “Está colapsando a economia nacional. Está praticamente inviabilizando o país em nível internacional de buscar investidores”, declarou.
Na gravação, Nardes também tratou da situação da previdência social. Ele lembrou que, ao analisar as contas deste ano, fez “uma declaração muito forte” sobre o rombo no sistema, que ultrapassaria R$ 404 bilhões.
O ministro dirigiu o recado diretamente aos trabalhadores que ainda pretendem se aposentar pelo Instituto Nacional do Seguro Social. “Como está, não haverá aposentadoria, porque não temos mais economia suficiente para pagar nem os aposentados hoje e que dirá futuramente.”
Para sustentar a comparação com o passado, Nardes recorreu ao julgamento que relatou em 2015. “Tomei uma decisão muito importante em 2015. Fui relator das chamadas pedaladas fiscais”, recordou. De acordo com o ministro, foram identificados na época R$ 50 bilhões utilizados de forma irregular, sem autorização do Congresso.
“A presidente Dilma passou por cima do Congresso Nacional”, comentou. Nardes citou ainda o rombo nos fundos de pensão Petros, da Petrobras, e Postalis, dos Correios gerados pelo gasto desenfreado. O ministro destacou ainda a recessão do período. “O país cresceu para baixo, 8% do PIB de perdas. Perdemos a confiança internacional.”
Gaúcho, Augusto Nardes ocupa uma cadeira no TCU desde 2005. Antes de chegar à Corte de Contas, construiu carreira política no Rio Grande do Sul, com passagens pela Assembleia Legislativa e pela Câmara dos Deputados, onde exerceu mandatos pelo PP.
Presidiu o tribunal entre 2013 e 2014. Ganhou projeção nacional em 2015, quando relatou o parecer que recomendou ao Congresso a rejeição das contas de 2014 do governo Dilma, em razão das pedaladas fiscais. A análise do TCU serviu de base para o processo de impeachment que afastou a petista da Presidência em 2016.